mulher loira com cabelo curto.Muitas são as histórias, onde a(o) artesã(ao) não gosta nem de ouvir a palavra “designer”. Do outro lado, o designer nem sempre considera o artesão (independente do gênero) um criador.

Foi no campo do design, desde a sua existência, que evitou qualquer contato possível entre os dois. Somente por volta da década de 80 que iniciou uma aproximação, principalmente na área acadêmica. A partir daí, pode-se dizer que houve um bom avanço e com histórias de sucesso.

Mas afinal, o que é “design” ?

O International Council of Societies of Industrial Design – ICSID, Conselho Internacional que protege e promove os interesses do profissional de Desenho Industrial, define design como uma atividade criativa cuja finalidade é estabelecer as qualidades multifacetadas de objetos, processos, serviços e seus sistemas em ciclos de vida inteiro.

Portanto, design é o fator central da humanização inovadora de tecnologias e o fator crucial de intercâmbio cultural e econômico.

Palavras muito bonitas, mas o que elas querem dizer e, principalmente, ao relacioná-la com o artesanato ?

Design é uma atividade que, dentre outros fundamentos, desenvolve novas formas para um objeto e tem uma preocupação muito pontual com a relação estabelecida entre o objeto (produto), o usuário e a sociedade, e não tem no aspecto estético (beleza) como foco principal.

Trocando em miúdos…..se pegarmos como exemplo, uma escova de dente. O designer não pensa sobre a escova de dente.Ele pensa qual será o efeito da escova de dentes dentro da boca do usuário.

E para entender qual será o efeito da escova de dentes na boca, ele imagina quem é o dono da boca. Qual a vida do dono dessa boca? Em que tipo de sociedade esse cara vive? Que civilização criou essa sociedade? E a partir dessas respostas, o designer inicia a sua criação.

Vamos traduzir o exemplo da escova de dentes para o artesanato e tentar encontrar uma possível resposta à pergunta que se tornou a chamada dessa matéria.

O designer, ao iniciar um trabalho junto a artesãs(aos), nem sempre conquista e inicia um relacionamento com mais interação.

Na maioria das vezes, a humildade deixa de existir, ou nem sempre é lembrada como um dos eixos principais para uma parceria de sucesso.

E isso pode se dizer de ambos os lados. Aliado a essa questão, uma outra problematização é quando o designer se propõe a interferir no trabalho artesanal.
Bem, meus caros amigos. Aí nem é preciso afirmar que jamais poderá ocorrer algum tipo de parceria, certo ???

Mas….vamos olhar do outro lado, ou seja, do lado que as reações são totalmente contrárias e a sintonia dos dois profissionais é total.
E é nesse momento que tanto o artesão quanto o designer podem desenvolver um trabalho mais que único e conquistar muito sucesso.

Uma das coisas que deve ocorrer, a qual eu sempre afirmo e nesse caso é fundamental, é a informação que o artesão deve ter com tudo que o rodeia e levá-la para o seu dia a dia, no ato da criação de sua peça.

A partir do momento que o artesão começa a ter essa interação com o mundo à sua volta, se transforma continuamente e, sem dúvida alguma, transforma o seu próprio trabalho.

Quando o artesão começa a ter esse tipo de entendimento, o diálogo com o designer começa a ser de igual para igual e a ligação com as novas experiências começa a fluir.

A relação deve ser pautada na cultura e no trabalho, na articulação de todos os campos dos saberes locais, regionais e globais, para que o desenvolvimento do espírito de pertencimento possa ser um dos eixos de criação e inovação.
Sendo assim, quando um designer e um artesão se encontram, o respeito deve ser conquistado, principalmente pela troca de conhecimentos

Quando o designer compreende a riqueza e a criatividade embutida no trabalho realizado pelo artesão, e o artesão por sua vez, aprende as variáveis de um objeto e do usuário, o sucesso ocorre.

 

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Assim como diz Adélia Borges, no livro – Design + artesanato: o caminho brasileiro- “Quando existe a compreensão que a intervenção adequada consiste, muitas vezes, em apenas ajudar o artesão a ver, a aperfeiçoar aquilo que faz e sempre respeitando a sua essência”. 

Até a próxima !!!!!

Fernanda Bellinaso.